quinta-feira, agosto 27, 2009

Parar e olhar: eis o Caminho

Parei um minuto para olhar para o mundo. Depois de tanto procurar "não sei o que", dei um tempo pra mim mesmo e olhei. A maneira que me coloquei não permitia aferir em uma direção apenas. Parece que girei junto com a Terra, descobrindo aquilo que não é. Só deu pra perceber a dificuldade de parar. Só deu pra notar minha pouca habilidade em olhar pra dentro, porque a imagem que vem de fora, antes necessita de se encontrar aqui dentro. Do contrário, as coisas são apenas objetos inanimados que escarnecem da estupidez da nossa agitação.

É a inércia do corpo que dá movimento às coisas, porque o olho só focaliza quando o corpo deixa. É a sincronia da vida, o passo que se dá depois do outro e só. Enquanto continuarmos no compasso da marcha fúnebre deste século, a direção para ser caminhada será apenas o chão que repousa nossos pés. Nossa existência se resumirá em puxar o oxigênio deste ar impuro e expirar todo "cê-ó-dois" sem graça nem brilho. Quero assim, parado, enxergar o rumo do caminho que me escolheu pra andar.

Quero assim, olhando, encontrar o ritmo do próximo passo que devo caminhar. Alguém me disse uma verdade que vale a pena destacar, que nesta caminhada não importa a velocidade de andar, apenas o rumo, a direção. O Caminho já temos. Basta prosseguir!

sexta-feira, julho 17, 2009

Dia de nadar



Largue tudo porque hoje é dia de nadar!
O lindo lago não admite pesos.
Pois rejuvelecer é desnudar cada parte de si e se jogar.
E nadar!

Cada braçada representa o alívio da alma!
O frescor das águas calmas que movimenta lá dentro.
Renascer é perceber que viver é nadar.
E girar!

Deixar o corpo ser levado pelas aguas!
O gostoso da brincadeira é sentir-se ir.
Pra conhecer a suavidade das águas cálidas.
E cantar!


* Inspirado no Lindo lago do amor de Gonzaguinha

segunda-feira, junho 01, 2009

Minha confissão


Sou fascinado pelo futuro. Minha insegurança quanto ao presente me faz olhar pra frente com um foco preciso. Isso tem seu lado bom, pois me planejo bem diante das oportunidades que estão diante de mim. Consigo antecipar as demandas que me vêm a mente. Mas isso também tem seus problemas, sobretudo, a tristeza de perceber que nem tudo ocorre do jeito que eu quero. Parece que esse tipo de decepção nos declina para uma posição bem inferior quando comparada aos nossos planos e sonhos. É a falência do homem, é a morte das nossas decisões limitadas.

Olhar para o futuro sem esperança é confiar na incerteza, é planejar no vazio. A esperança que menciono é a confiança de que todas as coisas antes de se tornarem reais, passam pelas mãos do Artífice do universo. Ele é o Senhor do tempo, e a Ele pertence o futuro. Quero deixar que essa certeza me encontre nas encruzilhadas que eu insisto em construir. Eu confesso meu medo pelo fracasso. Esse meu temor me faz ser um planejador compulsivo. O resultado disso é uma frustração que encalha sonhos e sufoca o desejo de prosseguir.

É assim que encontro a mim mesmo: quando perco a esperança nas minhas expectativas. Dai vem a liberdade, quando morre a vontade de resolver aquilo que não me pertece. Então, reconheço o quanto Deus utiliza da minha fraqueza pra me apontar a verdadeira e única Esperança, que "dEle e por Ele, e por meio dEle são todas as coisas".

quarta-feira, maio 27, 2009

Biografia de formando (quem meus amigos dizem que sou)

Formando da turma de 2005 (de tras pra frente rs)

O Guto chegou de mansinho, como quem não queria nada. Nem no trote apareceu. Mas logo nas primeiras aulas com suas opiniões, já se mostrava um cara inteligente e pitaqueiro. Até que fez amizade com uns “malucos” que fundaram a Panela. Assim, partilhamos sonhos, expectativas e histórias. Nossas reuniãozinhas eram sempre regadas de muitas gargalhadas, aliás, em especial a sua gargalhada é única, inconfundível: sempre com uma piadinha ou resmungando. Era sempre bom assistir aulas lado dele, difícil era prestar atenção.

Antes apelidado de Cavalo de Fogo, assumiu os cabelos brancos. Virou o Geada. Nunca esqueceremos do dia em que o Guto chegou em sala com os cabelos grisalhos. Nesse momento tudo se esclareceu: achávamos que ele pintava os cabelos por prazer (o que a gente achava muito estranho). Rapaz debochado até sem perceber, teve a petulância de desmontar um celular durante a aula do professor mais bravo do curso sem causar qualquer irritação no homi.

A primeira vista, o Guto é extremamente sério, mas é só abrir a boca que lá vem zoação. Ninguém imagina que um ouvinte fiel do Los Hermanos pode ser tão alegre. É o melhor amigo do Google. Adora roupas em tons neutros, conhece todos os vídeos do youtube e canta no coral fazendo as maiores caras e bocas. Apesar da cabeleira branca, é super cabeça aberta e descolado. Sobretudo, o Guto é um cara sempre interessado nas pessoas, esteve ao lado daqueles que mais precisaram dele, até o ultimo momento. Ganhou fama por escutar as lamentações dos seus amigos bizarros. O terceiro andar do PVB que o diga: juntos, escorregamos no chão feito criança, derramamos lágrimas de agonia, e principalmente ficamos contemplando as bênçãos estéticas que Deus foi capaz de presentear o mundo.

Ao mesmo tempo, desenvolvia a sua “vida pastoral” na ABU. O Bianch conseguia se abrir para a vida universitária sem perder os seus valores, o que fazia admirados. Seu envolvimento com a ABU rendeu muita coisa, pois daí começou a criar uma amizade intensa com a Bárbara. Os Frávios incentivaram desde o início, mas a resposta dele era sempre a mesma: "É Amizade". O resultado já sabemos: o nosso amigo trocou o Bar do Leão pela casa da Bárbara e a companhia dela, deixando toda a panela feminina para trás.

E assim o Guto foi vivendo. Aprendendo, apesar dos cabelos brancos, que era possível conciliar a “alegria das coisas do mundo” com o “servir a Deus”. Sendo aquele amigo com o qual podíamos conversar sobre os temas mais profundos da vida e que sabíamos que nos despertaria para um olhar mais sensato sobre nossas decisões. Encanta-nos a cada dia com o resultado da união de contrastes que o fazem tão especial: a sensibilidade e a seriedade, a humanidade e o que há de sublime. Pessoa rara no mundo.


Escrito por: Luana, Talita, Luiz, Babi, Paulo, Mazinho, Raissa, Lucas, Jayme e João Henrique

segunda-feira, maio 11, 2009

Mesmo inspirando profundamente a "Inspiração" não vem.
Respiro, expiro, espirro e...
nada!
Vem apenas a reticente dúvida do que escrever.

É a sindrome da vontade de querer.

sábado, abril 25, 2009

O céu do outono


Deixo sair do meu peito as notas que surrupiam dentro de mim. A beleza que exala ao redor circucinda meus passos fatigantes. Mas deixo sair do meu peito. Porque são muiiitas notas. Mais que as sete. São tantas que rodopiam de tensão. É a vontade de viver que é grande, de tomar rumos fantásticos e reais. Tudo isso vira música quando exprimo meu desejo de ver beleza naquilo que ainda nem é. Minhas lamentações tornam-se vãs na imensidão de situações que tecem a realidade à minha volta. Sou pequeno, sou sujeito, sou alguém.

Complexo?

Deixo sair do meu peito as agruras que contrastam comigo. Também tomam forma de notas musicais. A dissonância delas causa perplexidade que assusta. Não me canso em deixar, permito-me sempre a chance da beleza encontrar-se com a dor, nem que seja na saída. Daí, o céu do outono parece um monumento eternizado sob minha cabeça. Então, vejo o que é realmente belo e me convenço!

Não é otimismo, é solidariedade comigo mesmo.

Sem mais!

sexta-feira, abril 17, 2009

O convite à mediocridade (Post inacabado 06/03/2007)

Vinde todos vós e deleitai-vos na vossa mediocridade!
Sejam como vocês sempre sonharam: mesquinhos e superficiais.
Busquem a facilidade e o conforto.
Procurem diligentemente a frieza nos relacionamentos!

Atentai às vossas fúteis necessidades.
Dinheiro, pouco trabalho, muita fartura.
Gastai naquilo que enriquece vossa soberba.
Esbanjai naquilo que não tem valor.

Vinde todos vós, cristãos de todas denominações.
Reforçai vossas consideráveis diferenças.
Atentai-vos pelos detalhes que desinteressam
Valorizem o suor gasto nas suas disputas vãs.

(...)

quarta-feira, abril 01, 2009

A mais nobre saudade


Lembrei-me daquele papel amassado que te entreguei no dia do nosso primeiro encontro. Você o tem ainda? Puxa, nem tem tanto tempo! Mas o pouco que vivemos parece que são anos! Queria te contar porque ele se amassou. É que minha falta de habilidade para usar as palavras certas me deixam desconcertado! Dai tenho que escrever, apagar, redigir, desmanchar... Esse rítmo todo acaba por prejudicar o coitado do papel.

Eu queria ter uma memória melhor para poder recordar cada letra que coloquei. Sou péssimo nisso também. Posso descrever fielmente cada gesto que fiz aquele dia, mas as palavras ditas não me vêm à mente. Você lembra das minhas mãos trêmulas quando te entreguei a carta (risos)? O copo com água que eu segurava até foi ao chão. E aquelas risadas intermináveis quando fomos juntar os cacos? Esquecemos do risco de sermos furados pelos pedaços de vidro do chão.

O curioso é que nada daquilo nos atingiu - você sabe, pois sua memória é melhor do que a minha. Sei lá, somos muito engraçados. Depois do sorriso veio o choro. Lembra (risos)? E depois do choro, ah, claro que vc lembra, veio o riso novamente. Essa era roda viva que nos elevava ao infinito. Falamos o mínimo possível. Talvez seja por isso que lembro tão pouco do que foi dito.

Usamos as linguagens do nosso coração: os olhares, os abraços, o sorriso, o choro alegre... o beijo. Nos deixamos levar pelas torrentes do nosso sentimento. Posso te plagiar? "É... me desculpe, falta-me palavras. Não sei explicar. Sei sentir, embora não possa medir. É que a minha felicidade apareceu de repente. Veio e me fez sorridente". Então, quando penso nisso tudo também sinto "a mais nobre saudade"!

terça-feira, março 24, 2009

Palavras II



Deixar com que as palavras venham à cabeça. Aliás, elas já estão aqui. A tarefa maior é relaxar para que cada uma delas tomem seus lugares, pois no congestionamento dos verbos alguém tem que ceder. É assim que as idéias ganham espaço: quando as viagens dão lugar para o concreto. Agora é assim, decidi ser prático, objetivo, sucinto. O processo de depuração dos meu códigos simbólicos virá quando cada poesia morta fizer nascer algum movimento verdadeiro que venha de dentro pra fora. Caso contrário, fica tudo um emaranhado de palavras com sentidos que, de tão diversos, tornam-se confusos. Quem falou que o motim das idéias gera mais tumulto? Não existe esperança na balbúrdia? Não sei, só sei que minha mente não tem liturgia. A ordem começa no fim, depois passa pelo começo que vai direto para o entrepasso da metade. Tudo isso numa oscilação desordenada pelo ritmo da batida dos meus pés. Não reconheço o que é ordem, mas suponho que a contraprova da verdade seja o desejo dela. É a face oculta da moeda sem valor. Assim, descubro que o surreal é cheio de verdade, de realidade. Enxergo então a beleza da vida, do sofrimento, o sentido da angustia que as vezes abate a minha´lma que cansa quando me sinto assim, só. Vem a sua imagem. Chega sua presença. E me rendo, e me entrego, e digo: eu sou do meu amado e Ele é meu. Me perco, me acho e assim, me desfaleço em ti.

terça-feira, março 17, 2009

A beleza dos campos brancos


A brancura dos campos relaxam os olhos. Estão prontos! As flores podem ser vistas num movimento épico de beleza e muito brilho. Tudo coopera para embelezar este cenário. Não bastava aquele lírio solitário para eternizar aquele momento? Não, Deus é insistente quando o assunto é beleza. Até os céus se abrem e nuvens dividem espaço com os raios do sol. Tudo é azul, branco e amarelo. Aliás, a mestiçagem das cores não permite muita definição. As árvores gigantes bailam com os pássaros que brincam em resistir a força do vento. Nem adianta fotografar. Enquadrar aquele cenário é limitar a solenidade daquela visão. O melhor é ver, cheirar, sentir! Nem se atreva fechar os olhos para se imaginar flutuando com as plumas que navegam no ar. Deixe seu corpo ir, vir, cair... Quando chegar a noite, não tenha medo da ausência da luz. Os olhos das feras te servirão de guia. Não se esqueça dos vaga-lumes, eles nunca nos deixam sós!

segunda-feira, março 09, 2009

Fez-se



O eu disperso partiu-se em cacos,
fez-se fumaça.
Todo sentido em existir se liquefez em segundos.
Até que um raio de sol trouxe o brilho da vida,
o suficiente para solidificar a alegria rarefeita.

No encontro das águas calmas,
fez-se mar.
E o que era singelo transformou-se em extrema beleza.
No balanço das ondas, a brisa fez-se tempestade,
que empurrou todo o silêncio para o cais.

A força da natureza me trouxe você,
fez-se nós.
E as mãos desatadas se entrelaçaram num estalo.
Sobre as núvens densas preparamos nosso palco.
Correr nos parecia pouco, resolvemos voar!

segunda-feira, março 02, 2009

A surpresa


Tem situações que as palavras não conseguem interpretar nossas intenções. Eu até queria começar esse post dizendo "surpresa!". Se fosse possível iniciar o texto falando, eu aumentaria levemente meu tom de voz e diria "surpresa!". Aliás, eu daria mais ênfase na última sílaba. Ainda sim faltaria algum elemento que tornasse minha representação mais digna da minha expressão interior.

Para melhorar, eu teria que acrescentar outros recursos. Talvez, usaria minha expressão facial para finalizar a soma das palavras faladas com a exclamação do meu rosto. O "surpresaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!" sairia mais leve e mais dramatizante. Daria uma maior impressão de realidade.

Ah, eu queria mesmo era falar de realidade. Mais de realidade do que de surpresa. Na verdade, quem bancou de garoto surpresa comigo foi a realidade - é engraçado que a forma que cito a "realidade" parece até que ela é alguém. Pode ser. O ponto é que o estágio em que me encontro, de alguma forma me surpreendeu que ela, a realidade, pode ser melhor do que os meus sonhos. Foi uma surpresa engraçada! De fato, surpresas sempre nos tiram algum sorriso. São cômicas porque nos oferecem uma versão mais agradável do tempo presente.

A surpresa que a realidade me trouxe foi ambígua. Me surpreendi com isso também. De um lado, a realidade se mostrou mais forte que o sonho. Foi a sua auto-afirmação. De outro, ela demonstrou que sua delícia está em surpreender naquilo que o sonho não pode dar, que é o evento em si, o momento imaginado, o fato nascido, o objeto acalentado. Para isso, antes, é preciso sonhar. A realidade sem o sonho não tem sabor. É um presente cru, sem surpresas, sem esperanças. A vitória da realidade não é o triunfo sobre o sonho. É a alegoria da celebração do espírito que ganhou um corpo esperado.

Me surpreendi. O sonho elevado tinha espectro impossível. Era bom demais para ser verdade. Sua realização transformou-se igualmente em alegria e espanto. Alegria pelo motivo óbvio, e espanto, pelo excesso de alegria. Foi assim que a realidade apareceu e disse que o sonho se transformou. Foi-se o espanto. Ficou a alegria, a surpresa, o excelso excesso.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

A gente só queria o amor




"A estrada vai além do que se vê". Alguém ja cantava isso antes da nossa caminhada. Meu entendimento era limitado diante da imensidão do horizonte que você me apontava. Tentei optar por alguma via que me sugerisse essa felicidade tão sonhada. Não consegui, meu coração fez isso por mim.

Quando assustei já estava de mãos dadas com você. Assim deixei essa melodia embalar nosso passeio. As flores, a praia bela, as águas que batiam nos pés, o pôr do sol, os pássaros, o frescor do vento, as árvores que balançam, a areia fofa, as conchinhas do mar... o calor do sol! Todo cenário era só nosso, meu e seu.

"A gente corre pra se esconder e se amar até o fim". Também já cantei isso em alguma ocasião. Mas agora é diferente. Eu corri com você! O esconderijo era ali mesmo, no meio de todos. Conseguíamos sentir plenamente a força dos nossos sorrisos. No profundo do nosso olhar, me vi nos teus olhos. Tornou-se o espelho de mim. Era nada menos que o verde turvo dos meus olhos, o desenho exato da alegria poetizada na iris castanha dos seus.

O fim a gente não conseguia ver, afinal, olhávamos juntos para o horizonte belo. A decisão foi parar de correr. A estrada era longa. Parecia eterna. Ficamos ali, fitando o pôr do sol e à espera de um novo começo.

As aspas correspondem trechos das músicas: Além do que se vê e Conversas de botas batidas, ambas do Marcelo Camelo.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Saudade

Saudade e lembrança parecem a mesma coisa. A primeira até necessita da segunda. O saudoso lembra, sente falta, pois é no ato de recordar que ele vai até onde seu amor encontra. Por outro lado, aquele que lembra não tem nada pra buscar, rememora, mas sem atingir todas faculdades do tempo. É apenas no passado, com um futuro ausente e um presente sem presença.

A lembrança as vezes é incontrolável, simplesmente porque ela abarca as memórias das mais diversas, desde a mais trágica até a mais agradável. A saudade é mais seletiva, não dá espaço para o mal, vai direto ao ponto: o lugar seguro, os braços mais aconchegantes! Meu questionamento é: por que a saudade dói tanto? Se ela é reflexo da entrega da nossa alma ao outro, de onde vem a dor?

Assim como a sede está para o desejo de saciar-se, a saudade está para o encontro. Daí o sofrimento alcança a delícia do encantamento. Portanto, podemos definir o que é saudade. Talvez ela seja a fusão perfeita entre o choro e o riso, entre a alegria de ter e a tristeza de não possuir o outro naquele momento. Por sua vez, a lembrança pode chorar, sorrir, porém, sem nunca conseguir aproximar esses opostos que se realizam no outro.

Daí me recordo daquela frase do Rubem Alves que é bem precisa: "saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar". Então, o melhor é fechar os olhos, deixar coração bater mais forte e dizer bem alto: "Oh minh´alma, vá para sua verdadeira morada que caminharei contigo"!

Dize-as e corra logo!

quarta-feira, janeiro 14, 2009

De olhos fechados



Te procurei hoje.
Tive impressão que aquele vulto era você.
Não, não era.
Tentei vasculhar na escuridão do ambiente e não te vi.
Acuado, voltei.
Até que...

Pensei se realmente era importante distinguir o que era do que não podia ser.
Cocei a cabeça - acho que sempre faço isso quando fico intrigado.
Não, pensei, melhor continuar a busca.
Quem sabe seja você mesmo!
Não, não era.
Abri os olhos como nunca fizera.
Foi em vão.

Mudei a tática.
Fechei os olhos pra saber se te via dentro de mim.
Te encontrei.
E senti que fora mais belo que o vulto.

Sorri.
Abri os olhos e voltei à realidade do não-você.
Sorri assim mesmo.
Se estás dentro de mim, esta é a única verdade que satisfaz.
Sorri mais uma vez.

De agora em diante andarei assim, de olhos fechados - e sorrindo!

domingo, janeiro 04, 2009

Amo porque...


Amo porque amo,
não me pergunto o porquê.
simplesmente sinto e respiro o que desejo,
nem me esforço pra enteder.

Amo porque sei,
não me indago o efeito.
apenas me deixo levar pela chama que me arde,
nem me levanto pra resistir.

Amo porque sou amado,
não me questiono quando.
somente me lanço nos braços que me envolvem,
nem me atrevo em correr.

Amo porque nem sei,
não me perco no dizer.
prefiro o silêncio que me nina solenemente,
nem me lembro que o sono tem fim.

* Imagem extraída de: http://estoriasdelua.blogs.sapo.pt/arquivo/abraco1.jpg