quarta-feira, setembro 24, 2008

Voando com o vento

Foto: eu na praia em Cabo Frio - RJ

Não vou repetir os clichês de outrora, até porque,

a previsibilidade das minhas palavras denunciam o que sinto.

Escolho então me entregar ao vento,

pois sei que aquele que sopra sabe para onde vou.

Ao voar no horizonte, tenho saudade do que deixei

Mesmo quando danço com as aves,

a nostalgia me faz perder o balanço. Ao pousar sobre as ondas,

lembro da areia fofa e das conchinhas do mar que ajuntei.

Com o vento, decido voltar para meu lugar.

Não mais o mesmo, pois quem tocou o pôr do sol não

pode andar com os mesmos passos.

E de braços abertos espero por ele, pronto, para a próxima viagem.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Em viagem

BOX
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Com um sorriso na mente e um abraço guardado,
parto para uma viagem rumo ao desconhecido.
Não sei se volto e nem pra onde vou.
Mas sei que você estará comigo para onde eu estiver.
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BOX




quarta-feira, setembro 10, 2008

A melodia desconhecida


Imagem: http://ramalho.com.sapo.pt

Que sentimento é esse que não consigo descrever?
As palavras fogem, os sentidos somem, a mente pára!
Pensei que sabia, achei que entendia, mas a única coisa que sei é que é forte, confuso, caótico...
refexo de mim, eu sei.

É como uma música bonita que se ouve sem saber quem toca.
Você procura, corre pra conhecer, mas não acha!
E o pior: a melodia não sai da minha cabeça,
é tão boa de ouvir!

Com tudo isso, a poesia faz mais sentido pra mim.
O amor triste encarna em meu ser,
no paradoxo vivo da solidão e do bem querer;
e sigo assim, cantando a canção que não conheço, mas amo!

quinta-feira, setembro 04, 2008

O Triunfo da Providência

Não adianta tentar escapar da providência de Deus. O fato é que mesmo sabendo disso, vivemos como amigos do acaso, e como tais, esperamos mais dele do que de Deus. Assim, temos nossas expectativas firmadas num destino fluido, em que tudo pode acontecer. Dai vem a tônica do "depende de nós".

Ser senhor de si dá nisso: falsa segurança e esperança na sorte. Aquele que confia em si mesmo depende do lançamento de dados de seu deus pagão. Viver sob a providência de Deus, ao contrário, é duvidar do eu, é esperar naquilo que se não vê, é ter certeza que o caminho só tem horizonte nEle.

Vivo assim, em uma guerra declarada contra o acaso. Batalha essa que me traz grandes baixas: sentimentos mutilados, certezas decepadas, coração contrito; alma atingida, mente ferida, esperança aflingida. Até a alegria da salvação através da Graça perde seu sabor diante de um inimigo tão sagaz.

Mas luta não pára. Apesar das baixas, não cesso de me empenhar. Descubro com o tempo que Deus luta por mim. Que a vida e morte do seu Filho derrotou o acaso e seus demônios. Assim, esperança resurge no caos como uma ave fenix após o fogo. E as baixas dão lugar para novas peças repostas e prontas para mais uma luta.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Não, não é fácil


Não, não é fácil. Colocar ordem no caos não é tarefa para qualquer deus. Zeus só conseguiu depois de ludibriar seus inimigos. A ordem só veio após uma confusão resolvida. Até no caos deve haver sentido, ordem e destino. Até a roda viva que gira incontrolável precisa de estar numa direção.

Não, não é fácil: eu não aprendi a viver na caverna escura. Olhar para o reflexo distorcido do mundo real me faz sentir medo. A luz que brilha no outro lado ao mesmo tempo me chama e me amedronta. E antes do seu reflexo me esclarecer, ele me cega!

Não, não é fácil. Entregar-se à Graça sem criar reservas parece tarefa para semi-deuses. E por isso, minha semi-humanidade me atrai ao sossego da escuridão. Nesta inquietude silenciosa custo a compreender que quem vai a minha frente é o Senhor. Relutante, me entrego pela fé, assim mesmo, como sou, como estou. Mas que não é fácil, ah, isso não é!

sexta-feira, agosto 22, 2008

O meu mundo


Como um Demiugo*, vejam o mundo que criei:

No céu, os pássaros divedem espaço com as pipas; nos campos, crianças brincando. Nas ruas, jovens celebrando a vida, com batuques, danças e muita alegria. Não há escolas ou instituições tolas que pervertem os bons costumes. Apenas o bem, pleno em sua força, vigoroso em sua expressão. A arte governa a todos: uma rainha com um cetro de guarda-chuva de frevo.

A lei é a paz que excede todo entendimento. A contemplação é o trabalho de todos; o salário é a sabedoria. As pessoas se sustentam com um vivo pão que cai do céu. E esse é tão saboroso que a constância dele no cardápio diário traz mais apetite para o dia que vem.


O leão brinca de esconde-esconde com a lebre. Quem chegar por último, você já sabe, vira mulher do sapo! As árvores dançam com as mulheres; os rios correm com os homens e as crianças correm com os cavalos!
E o sol da justiça brilha forte, numa aurora eterna...

Enfim, qualquer semelhança deste mundo com outro não é mera coincidência.

Como diria John Lenon, "You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one. I hope some day you'll join us, and the world will live as one".

* O que é Demiugo? Leia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Demiurgo

domingo, agosto 17, 2008

Já vem a aurora


Alguns dias atrás tive uma conversa massa com um amigo. Estávamos em frente ao Bernardão e proveitamos pra refletir sobre a proximidade do dia da nossa formatura. Olhávamos para aquele prédio juntos, refletindo o quanto tem sido bom viver aqui, em Viçosa. Surgiu a tristeza, a melancolia. A impressão que tivemos é que para avançar necessário deixar uma vida para trás. Como se a saudade fosse o passaporte para a nova vida depois da formatura. Isso é dor, nada mais.

Até que surge uma possibilidade sábia: podemos levar os amigos conosco, em partes, em nossas vidas. Não poderemos contar suas presenças, mas com o coração de cada um, com um sorriso na mente e as marcas dos abraços. Sobretudo, poderemos experimentar a transcedência dos bons momentos e porque não, dos maus bocados também.

Já estamos na noite da nossa estadia peregrina nesse universo universitário. O calor do sol que brilhara todo o dia já se foi. O frio da noite também teve seu momento de destaque. Agora é anunciada a aurora. E esta vem mais rápida do que a primeira...

*Foto: Paulo (Preto), Eu e Jayme (James). Foi Paulo o grande inspirador dessa discussão. Já o Jayme, confundiou completamente o assunto e o levou para esfera amorosa entre homem/mulher e no fim das contas, nos rendeu boas risadas!

domingo, agosto 10, 2008

O sentido e o amor no caos



O caos dos sentidos preconizam minha dor
que subtrai qualquer certeza que não seja te amar
Mas os sons dos violinos aliviam um pouco a tensão
de não tê-la comigo quando preciso tanto.

Sua presença é mística mesmo quando abraço o vácuo,
quando seu corpo se materializa em minha mente
ou no momento em que sua voz é apenas um som ideal.

O triunfo dos sentidos sobre o caos emerge em mim
Ele vem da certeza que a distância só separa olhares,
ainda que de forma parcial e incompleta,
pois a plenitude é te amar apesar do tudo.

Na caminhada de volta pra casa só se vê saudade
Daquilo que foi e da espectativa do que será
E a nostalgia dos bons momentos dá espaço à nova vida,
daquele que amou e amará agora, no novo caos.

quarta-feira, julho 30, 2008

Aprendendo com a inutilidade

Pela minha falta de inspiração, o texto abaixo é um trecho de uma crônica do Rubem Alves intitulada "A Inutilidade da infância" do livro Estórias para quem gosta de ensinar.

Bom proveito!

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Entre nós inutilidade é nome feio. Já houve tempo, entretanto, em que ela era a marca de uma virtude teologal. Duvidam? Invoco Santo Agostinho, mestre venerável que declara em De Doctrina Christiana: “Há coisas para serem usufruídas, e outras para serem usadas.“ E ele acrescenta: “Aquelas que são para serem usufruídas nos tornam bem-aventurados.“ Coisas que podem ser usadas são úteis: são meios para um fim exterior a elas. Mas as coisas que são usufruídas nunca são meio para nada. São fins em si mesmas. Elas nos dão prazer. São inúteis.

Uma sonata de Scarlatti é útil? E um poema? E um jogo de xadrez? Ou empinar papagaios?

Inúteis.

Ninguém fica mais rico.

Nenhuma dívida é paga.

Por que nos envolvemos nessas atividades, se lhes faltam a seriedade do pragmatismo responsável e os resultados práticos de toda atividade técnica? É que, muito embora não produzam nada, elas produzem o prazer.



sábado, julho 19, 2008

Ainda falando de amor


Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Mt. 22:36-39

Para espantar o sumiço, queria apenas expor alguns devaneios que têm marcado presença na minha mente. A falta de criatividade e inspiração para escrever algo descente só me permite indicar aquilo que tenho pensado. Acredito que tenha uma relevância mínima para vocês, lerem meus amigos!

O eco do post anterior ainda continua por aqui: minha reflexão maior tem sido na natureza inescrutável do amor de Deus. Sua plenitude encarnada em Cristo nos move a vivermos para o outro. Ser, portanto, é viver para servir. É uma nova maneira de encarar a vida, a medida que somos convidados a morrermos para nós e ressustarmos para Deus.

Essa nova vida, entretanto, é sustentada pelo amor e este, se faz visível através da comunhão com os irmãos, da solidariedade e fraternidade. Não existe amor a Deus se o amor ao próximo é inexistente. O apóstolo João - conhecido como o discipulo do Amor - salienta que "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu." (1 Jo 4:20). Jesus vai além. Quando ele diz que "sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes." (Mt 25:40).

Dai, consigo entender quando Paulo diz que " toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo". (Gal 5:14).Como assim? Acaso não foi Jesus quem disse que o primeiro mandamento era amar a Deus sobre todas as coisas. Sim, certamente, mas foi o mesmo Cristo que não adianta dizer "Senhor Senhor" se não fazer "o bem aos pequeninos".

Portanto, amar a Deus sobre todas as coisas significa, em outras palavras, amar o seu próximo. Foi assim que Jesus demonstrou que nos amou profundamente: lavando os pés dos seus discipulos; comendo com publicanos, prostitutas, pobres e marginalizados. Sem o olhar para o outro não existe devoção a Deus. Sem o "segundo grande mandamento" não existe o primeiro.

Que Deus nos conduza.

sábado, julho 05, 2008

Ainda bem!

Estava pensando nisso aqui, agora pouco: ainda bem que Jesus nos indicou a amar nosso próximo como a nós mesmos. Seria muito ruim se o grande mandamento se resumisse em amar a Deus sobre todas as coisas. Não que isso seja ruim, pelo contrário. Só que pelo pouco que conheço de nossa natureza pecaminosa, seríamos mais fanáticos do que somos. Teríamos uma gana por Deus que nos afastaria das pessoas. Seríamos ambiciosos pelo sagrado, relegando às pessoas um papel secundário.

Ainda bem que Jesus nos indicou um caminho maior. Cristo nos ensinou aquilo que ele fazia. Ninguém amou mais o Pai do que o Filho. E obviamente, ninguém amou tanto seus semelhantes quanto o próprio Jesus. Ele era rodeado de pessoas. De tanta gente que o procurava, ele tinha dificuldade para arrumar momentos de solitude com o Pai. Mas essa era a comunhão de Cristo com Deus, o Pai: servir, sorrir e amar os outros. Os momentos "a sós" com o Pai eram minúsculos, se compararmos sua atuação com os indivíduos.

Quero isso pra mim, de boa mesmo.

Que Deus me ajude!


sexta-feira, junho 27, 2008

Entre o não-ser e o ser outro

Gustavo diz:
ontem eu falei que queria ser uma criança.
Gustavo diz:
brincar na beira do rio
Gustavo diz:
jogar pedra
Gustavo diz:
brincar de carrinho
Gustavo diz:
correr atras de cacharro
Gustavo diz:
mas percebi q criança tb sofre.
Gustavo diz:
e pensei q a decisão de ser outro não evitaria minha dor.
Gustavo diz:
a dor de ser eu mesmo
Gustavo diz:
filosofico?
Keila diz:
verdade.
Keila diz:
haha
Gustavo diz:
vou publicar isso no meu blog

sexta-feira, junho 20, 2008

Ame e deixe-o

Essa semana (16/06) na disciplina de Prática de Ensino em Hist. do Brasil, assisti uma aula sobre a ditadura militar. Achei interessante rever o conhecido slogan nacionalista da década de 1970 - Brasil: Ame ou deixe-o. Nem vou me ater ao absurdo ideológico contido nessa frase, quero simplesmente pensar na contradição óbvia entre amor e egoísmo.

O mais curioso disso é que insistimos em ver sentido nesse paradoxo. Como se a maior característica do amor fosse a posse. É assim quando alguém está interessado em outra pessoa: se tem a idéia que a plenitudade do amor será quando o (a) amante terá o(a) amado (a) em seus braços. Não necessariamente o maior amor é o mais correpondido. Bom, não quero fugir do assunto. O faco não é o platonismo, mas é a característica do amor em se doar, até porque, como diz nas Escrituras, "o amor não busca os seus próprios interesses", mais que isso, o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

O auge desta atitude é o Pai do Filho Pródigo, que suportou a rebeldia e o desamor do filho. Sua atitude foi de total abnegação, uma vez que ela não impôs condições à partida do pródigo. Ao contrário disso, colocamos às pessoas que amamos diversos condicionantes para nos trazer segurança.

Ora, se precisamos de "provas" para sentirmos seguros, logo, nosso amor está alicerçado nos fatos, nas situações. Desta forma, o autruísmo se distancia dando um grande espaço ao egoísmo e ao ciúmes. No entanto, o amor verdadeiro tem tudo a ver com liberdade. Ele libera o outro, sem medo de perdas ou prejuízos. O amor não tem reservas.

Confesso que estou longe desta perspectiva libertária. Talvez, por isso demorei 8 dias pra escrever esse post: por perceber que escrevendo aqui, a ordenação do meu discurso não corresponde ao estado caótico dos meus sentimentos. Contudo, estou disposto a caminhar com passos firmes, mesmo que isso custe meu ego e minha pseudo-segurança.

Que aquele que me amou primeiro me ajude.

segunda-feira, junho 16, 2008

Momento mal humor (ninguém é de ferro)


Sabe quando você acorda achando que o dia vai ser uma droga? Pois é! Um saco! O pior é quando o dia anterior foi diferente. Ter um padrão de comparação tão alto as vezes faz mal. Enquanto ontem eu cantava e sorria, hoje é só trabalho e encheção de saco. E ainda tenho duas aulas chatas a noite!


Dane-se tudo! Não quero saber de coisas; quero amigos, conversas, abraços. Chega de livros e trabalhos.

Quero verborrajar, xingar o tédio, escarnecer a inteligência inútil. Eu quero um conhecimento para vida, história para vida, poesia para vida! Chega de ladainha!

Ahh, estou abarrecido. Isto basta!

=/

domingo, junho 08, 2008

A "velha" e o mocinho

Na última sexta-feira me aventurei a ir ao banco. No meio à demora da fila, gastei um tempo emitindo sons pela boca e batucando sobre minha pernas. Com receio que o barulho incomodasse os "pacientes", fui obrigado a arrumar outro entretenimento. Pensei em refletir sobre o cotidiano daqueles heróis que esperavam pela glória do fim.


Enquanto eu procurava o alívio que poderia compensar o tempo perdido naquele local, comecei a ouvir gritos agudos e fortes. Percebi logo que era uma criança. Por isso me animei. Crianças sempre nos trazem alegria. O menininho tinha mais ou menos 2 anos. Aliás, acho que menos. Ele não falava muitas palavras. Era loirinho e tinha olhos azuis.

Com ele, estavam sua mãe e seu irmão, que deveria ter 8 anos. Este era bem magro e tinha um boné rosa, bem rosa! Sua mãe parecia velha, deveria ter mais de 40. A brincadeira do menino era muito engraçada: ele pegava o boné do irmão, jogava ao chão e gritava: pega! Dai, o irmão ia lá, pegava o boné e colocava na cabeça. Porém, o garoto começava a gritar, e enfim, o irmão devolvia o boné ao seu irmãozinho. E o ciclo recomeçava!

Contudo, o ciclo era criativo: o menino começou a jogar o boné para outras direções. Chegou até a interagir com os outros "esperantes". Mas a mãe tentava interromper o ciclo. Aliás, ela fazia um jogo com ele. Deixava e ao mesmo tempo queria impedir que o menino se expressasse muito. Só que o garotinho era guerreiro: desafiou o tédio com alegria, choro e gritos.

Até que o momento mais esperado chega: a mãe é atendida. Talvez o garotinho não soubesse que esse atendimento poderia significar a benção da saída daquele espaço democratizador do tédio. Para segurar o menino, a mãe coloca o irmão mais velho para cuidar dele. Mas parecia que o irmão também estava tão alheio ao ambiente que deixou o menino ir um pouco além, perto dos atendentes. O pequeno ficou admirado com os computadores, mesas, impressoras, calculadoras, enfim, percebeu atentamente os detalhes do espaço.

E ai, infelizmente, vem a mãe e pega o menino no colo. Entre o choro e tentativas de sair dos braços da mãe, o garoto se rende. O tédio não venceu, não, não venceu. Foi apenas uma trégua resistente, mas trégua. A escolha foi pelos braços da mãe, tenho certeza.

Após o atendimento, a família se vai. E eu, fiquei, esperando por outro momento transcendente.

terça-feira, maio 27, 2008

Vida Simples

A alguns dias atras ouvi uma bela devocional sobre a necessidade de termos uma vida simples. Essa temática retornou à minha pauta reflexiva depois que conversei com uma professora sobre sua vida no Macapá. Comentando a caminhada de alguns de seus conhecidos, ela disse que muitos vivem de forma simples e portanto, sem muitas preocupações com o futuro.

Fiquei muito pensativo no assunto e concluí que esta ambição já foi mais presente em minha vida a algum tempo atrás. Percebi meu conformismo com esse século por diversas vezes me faz cair no que o Paulo Freire denominou de fatalismo neoliberal, que é a crença de que tudo que tudo é contra o sistema está fadado ao fracasso.

Por isso, fico a me questionar: dá pra ter uma vida simples dentro desse sistema desumano de consumismo? A resposta pode ser diversa. Os mais otimistas diriam que sim. Falariam que é tão possível que os mesmos assim o são. Os fatalistas e pessimistas nem respoderiam. Eles apenas esboçariam um sorriso irônico que dispensa qualquer argumento.

Entre o otimismo e o fatalismo eu escolho a esperança. Esta opção sim é pé no chão, pois, ciente das dificuldades, ela se fixa naquilo que transcende a realidade. Ela dispensa o simplismo do otimismo e o radicalismo do pessimismo.

É na esperança viva que podemos confiar que uma vida simples é possível. Podemos dessa forma, como Jesus nos anima, contemplar a beleza poética dos lírios do campo. É preciso que nossa concepção de providência divina seja restaurada, a ponto de confiarmos mais naquele que nunca negou a nós o seu sustento.

Contudo, ao falarmos de esperança, sonho e poesia, as coisas parecem ser fáceis, bonitas e simplistas. Porém, sabemos que não funciona assim. O desafio é caminhar com passos firmes e sem vislumbrar o enorme horizonte em nossa frente. Que a graça de Deus nos mova à simplicidade que o evangelho propõe!

quinta-feira, maio 22, 2008

Do confuso à confusa

Ser confuso ou estar confuso é uma condição terrível. Até porque, o confuso tem uma ligeira noção do que precisa ser feito, contudo, por algum motivo, evoca uma segunda via que aparenta ser melhor q a primeira. O pior da confusão é a sensação de estar perdido, sozinho e sem rumo. Lembro-me, então, daquela canção do Sérgio Pimenta, que diz que "quando se está só, se está porque deseja, pois ele com certeza não foge de ninguém; Deus está sempre perto, amigo, abraço aberto, convida a ir com ele pra não mais estar só.

Dessa forma, posso até ouvir a voz de Cristo, como num sussurro: "vinde a mim voz que estais confusos e sós, e eu os aliviarei"[1]!

Esse alívio não significa a finalidade de nossas provações. Ninguém é provado para depois se sentir bem com o descanso pós-dor. Tampouco, significa que a maior benção daquele que estava confuso é poder ver com clareza o que se quer. O alívio, portanto, só tem seu valor quando aquele que sofreu percebe o sentido da sua luta. O sabor está na labuta, não na vitória. Está no suor da batalha, não nos despojos.

Essa é a lógica do evangelho: a contra lógica do mundo. Pra ganhar a vida tem que perdê-la. Por isso, o confuso que está em Cristo, tem o alento necessário para prosseguir em sua caminhada de maneira firme e consciente . Entre sensações e o desespero, emerge a nossa única certeza: que o Senhor está no controle de todas as coisas - inclusive dos nossos chiliques! Portanto, o poder do evangelho vem, como num crescente movimento, dando-nos a segurança necessária para continuar.

[1] Paráfrase de Mt 11:28

* Dedico essa postagem a uma amiga muito querida.

terça-feira, junho 26, 2007

Sentir-se querido: Bom D+!

Nada melhor do que esta data para anunciar meu possível retorno ao meu blog. Possível porque não sei qnd vou postar novamente (rsrs), data especial porque hoje é meu aniversário. Gostaria de escrever algo simples, sem poder retórico.

Este é um dia muito feliz, porque sinto que sou uma pessoa querida. Não tem sensação melhor! Apesar das minhas contantes lutas contra minha melancolia, não posso deixar de ser grato a Deus por ter amigos maravilhosos como eu tenho. Amigos que nunca me abandonaram, que gostam de mim como sou - e olha que não sou tão fácil assim de conviver.

Todos os anos passei meu aniversário em companhia de pessoas que me amam. T-O-D-O-S. Não posso reclamar de um sequer. Infelizmente, minha tristeza é não poder estar junto de pessoas que estão distantes, entre eles, minha Keilinha, família e os amigos de Ipatinga.

Agradeço a Deus pela força que vocês me passam, mesmo sem saber. Diante das dificuldades que tenho enfrentado nestes ultimos dias. Tenho sido confortado, mesmo que pouquíssimos saibam o que tem se passado em minha família. Vocês são especiais pra mim. Gostaria muito que vocês todos, amigos meus, recebecem minha gratidão por tê-los perto de mim.


Abraços sinceros.

terça-feira, abril 24, 2007

Sem inspiração (o retorno)

As vezes, não estar inspirado é sinônimo de não ter o que dizer. Ora, por que eu não teria nada a dizer?

Outras vezes, não ter o que dizer é o mesmo de ter tanto a dizer que, atônito, o silêncio torna-se alternativa mais viável.

E mais vezes ainda, os profetas se calam em meio ao barulho ao redor.

E lá vem eu, de novo, sem ter o que dizer por ter muito o que dizer.

Com o silêncio nos lábios e com a garganta abarrotada de palavras forçando para sair.

Mas o silêncio as empurra de volta.

E o barulho continua...

domingo, abril 15, 2007

A Facilidade do sofrimento



O sofrimento é a coisa mais linda. Sorrisos são escancarados frente ao sofrimento. A dor é expressa nas danças e na poesia. O pranto, ao invés de angústia, torna-se simplesmente lágrimas que escorrem no rosto, sem ter significado doloroso, que por sua vez, denota mais festa do que qualquer outra coisa.

Não se assustem. Isso não é sofrimento, obviamente, é apenas o discurso dos que não sofrem. Falam do sofrimento como se fosse uma música triste que desperta uma pequena sensação. São palavras tão distantes da realidade, que não nos convence, pelo contrário, demonstram superficialidade, inexperiência e conclusões sofísticas totalmente teóricas e desvinculadas da verdade.

O leitor atento poderia perguntar: “acaso não são todos que sofrem”? Eu responderia sim ao meu questionador, porém, falaria que nem todos possuem um espinho na carne que, de tão agudo, sua ponta perpassa o âmago da alma, de forma a sair dos lábios do que sofre um grito por tamanha dor.

Quando o apóstolo Paulo refletiu sobre sua vulnerabilidade diante seu sofrimento, o próprio Deus apontou o sentido da dor do que sofre, dizendo: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”[1]. Enquanto Paulo buscava o alívio imediato[2], o Senhor dava ao apóstolo a segurança verdadeira, que é o total despojar do homem sob a direção e o controle de Deus. Isto é dizer que a Graça de Deus nos basta.

Por isso Paulo pôde afirmar que “de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas”[3], não porque sofrer é bom, mas sim, pelo fato de que pelo sofrimento, podemos compreender o real significado da total dependência de Deus. Portanto, a beleza não pode estar firmada no sofrimento em si, mas naquele que nos dá Graça para caminhar, a saber, o próprio trino Deus.

Nossa esperança é a certeza de que um dia, o Senhor enxugará do nosso rosto toda lágrima[4]. Minha oração é que vivamos a convicção de que, “leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;”[5]. Assim, podemos prosseguir a entender que o sofrimento é doloroso, difícil, porém, nossa tranqüilidade reside na Graça de Deus, não nos nossos sentimentos.

"e o espinho da carne perpassa minha alma. Eis que surge um gemido no espírito: a Tua Graça me basta!"


[1] 2 Coríntios 12: 9a

[2] No que tange seu sofrimento, Paulo afirmou que por “três vezes rogou ao Senhor que o afastasse dele” (2 Cor 12:8)

[3] 2 Cor 12: 9b

[4] Apocalipse 7: 17

[5] 2 Cor 4: 17